xEQUI - Medicina de quinos
Cuidando da saúde do seu aninal
PIROPLAMOSE X EXPORTAÇÕESCom o evoluir da criação dos cavalos da raça de Puro Sangue Lusitano, estamos notando a crescente demanda do mercado externo e portanto das exportações dos animais brasileiros a diferentes países. Um dos grandes interessados em nossos animais, nos últimos anos, é os Estados Unidos, que com certa razão, requisita muitos exames prévios ao embarque.A pedra no sapato de muitos criadores nacionais, haja visto que criamos num país endêmico (doença presente o tempo todo numa área geográfica) é a tão dita piroplasmose. Quando falamos do teste de piroplasmose estamos nos referindo ao exame que busca anticorpos e portanto, presume um contato prévio do animal com o protozoário chamado Babesia. Cabe esclarecer que a Babesiose, antigamente conhecida como Nutaliose (nome perdido para um grupo de esponjas marinhas) é um hemoparasita que pode trazer muitos malefícios ao animal, sendo que existem duas principais espécies deste gênero: a Babesiose equi e a Babesiose caballi. Tanto uma como outra são transmitidas pelos carrapatos e aí que mora o problema, já que em quase todo o território nacional, tratando-se de um ótimo país tropical, existem muitos carrapatos. Além disso, possuímos animais silvestres que compartilham alguns carrapatos com os eqüinos, como é o caso da capivara, um grande roedor que mantêm estes parasitas no ambiente rural.O teste de piroplasmose é atualmente realizado com uma amostra de sangue do animal e a técnica denominada cELISA, sendo a mesma técnica utilizado pelo Departamento de Agricultura americano, o qual retesta os animais quando estes entram nas fronteiras americanas. Este teste pode resultar em animais negativos e portanto livres da presença da Babesiose e aptos a serem exportados, ou ainda podem resultar em traços, uma, duas, três e até quatro cruzes positivas, referente ao nível de infestação que este animal apresenta. Logicamente as duas espécies de babesia anteriormente citadas são testadas e diferentes resultados podemos encontrar nesta variância. Este controle dos eqüinos se dá em razão de muitos animais infectados não apresentarem sintomas clínicos. Eventualmente a infecção pode provocar sinais clínicos dependendo do número de parasitas circulantes (parasitemia), do tipo de cepa (B. equi ou caballi), além da suscetibilidade individual de cada cavalo.Quem lida com exportação de animais sabe do diferente requerimento de cada país em relação aos exames para liberação do atestado de sanidade dos mesmos. O problema deste tipo de exame é sua maior sensibilidade e portanto o resultado muito mais minucioso em relação ao teste anterior (Fixação de Complemento), suspeitando-se até da reação de positividade para animais que ao menos tiveram contato com a babesia uma vez na vida (portadores crônicos). Estas são apenas suposições, já que nenhum laboratório nacional, e muito menos americano, sabem qual seria o real resultado destes exames.O controle sorológico da piroplasmose eqüina possui um sentido mais comercial do que diagnóstico propriamente dito, já que muitos países, entre eles os Estados Unidos requerem testes negativos para a importação dos cavalos.Vale salientar que um exame positivo, não quer dizer que o animal esteja doente, mas que talvez tenha a babesia em seu organismo e frente a qualquer forma de estresse poderia desenvolvê-la.Podemos considerar esta medida americana puramente protecionista, mas é relevante as perdas econômicas com animais doentes e com tratamento da Babesiose em todo o mundo, sendo direito deles, ditos isentos desta doença, evitar que ela se alastre em seu território. O medo deste país em relação a esta enfermidade esta relacionado a entrada de alguns pôneis cubanos na Florida em 1961, que acabou culminando com uma epidemia de Babesiose incluindo morte de vários animais nesta região, que até hoje não conseguiu acabar com o problema.Muitas discussões ainda virão sobre o assunto, mas se eu pudesse sugerir aos criadores interessados no mercado internacional algum objetivo, talvez seria o de, junto ao seu médico veterinário, regrar o melhor controle de carrapatos em vossa propriedade, com a finalidade de estar criando animais livres, ou pelo menos, com pouco contato com as já citadas Babesias.Dr. Neimar Roncati
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